liberdade: maio 2008

liberdade

29.5.08

fechar, definitivamente, um ciclo

"acabei de chegar... é espantoso como por vezes nos permitimos achar que percebemos tanto, até dos outros... e o desencontro da verdade, mesmo que sem querer é brutal. durante anos não me chocava, agora nem sempre é assim. acima de tudo o meu novo amor-próprio ou centro, não me deixa mandar para trás das costas aquilo que me fere. não, não percebes nada, não podes e nem te julgo por isso. nunca o fiz, e numa paixão, entrega, crença, na tua pessoa, e de vontade... sempre te vi em todas as possibilidades até de serem tuas as decisões finais, se daí resultasse bem-estar e eficácia.
quanto ao querer sempre pegar nas pontas todas, bem... parece que é a história da minha vida, principalmente em relação às pessoas por quem senti sempre a necessidade de me entregar, por vezes acima dos meus limites. não conheço muita gente assim. já um dia te escrevi, que sei que não és, nem podes ser a minha confidente porque não é uma coisa natural em ti, respeitei sempre essa tua medida sem tirar em nada tudo aquilo que em ti, consigo vislumbrar como ser humano. e sei que já te viste muitas vezes melhor, no reflexo dos meus olhos... o meu compromisso para já como certo é esse. aquele que te permite confiar, partilhar, confessar, destruir, reconsiderar, hesitar, exigir, sonhar, arriscar, mandar, extravasar, criar, abandonar, sem que nada do que deve realmente ser importante, se perca. ridículo pois, é eu sentir necessidade, por silêncios desprovidos de sentido e cheios de certezas, de proteger a medida da minha entrega, em horas contadas pelo relógio. é pena que rumines tanto, sente-se... imagine-se pintar assim... e eu lá fui tentando adivinhar, sem querer invadir, enquanto tu, muitas das vezes apenas te tentas, numa medida de quantidade, medir, sentir e validar através, por vezes, do desvalor dos outros. a soberba de "arrumar milhares de coisas"... boa! és muito boa! melhor dos que os outros! e como consequência, mesmo que não a questão, os outros nunca estarão à altura. sou boa a ler nas entrelinhas e fui-me habituando, mais do que hoje em dia acho razoável, a ler tudo, até o meu valor, nas entrelinhas. mas até para isso é preciso que existam linhas. não, às vezes acho mesmo que não percebes nada e isso já nem é assustador (desliguei o botão), é só triste. para além de tudo aquilo que sou ou não e represento ou não... tudo o resto é paixão, de entrega, de crença, de vontade... a partir daqui, o que me dizes passa para uma medida que não é a minha e que mais uma vez me parece soberba e aliás me ofende. não tenho por hábito comparar galhardetes, nem filhos nem canseiras, não me serve, não me é natural não me sossega. é por isso que por regra te poupo às minhas. é ridículo precisar eventualmente de te explicar, logo a ti, a medida do terror, não da canseira, que já não sinto, como sabes, porque não posso morrer. ... a minha mãe tem 62 anos, e está num outro continente, sozinha a dar tudo o que tem e sabe a troco de muita pouca quantidade, mas de certo muita qualidade... antes da vantagem de estar no jardim, viste com certeza alguma vantagem na minha pessoa, primeiro ainda do que eu, que quis garantir a todos que não era um engano (conheço poucos assim). acho que não te enganas na pessoa, sendo que isso dependerá sempre de mim, mas sinto um triste desencontro nas razões, que são apenas tuas. para além de tudo aquilo que sou ou não e represento ou não... tudo o resto é paixão de entrega, de crença, de vontade... desculpa mas como eu não escrevo, nem rumino, como tu, já são estas horas e eu tenho que ir passear o cão para tentar pôr-me a estudar a merda de psicometria porque os 18 e 19 que tu às vezes anuncias com um orgulho muito próprio, só são possíveis porque também de tarde e de noite existe paixão entrega, crença e vontade... corres para onde? e porquê? eu encontrei o centro… não desejas mais do que eu, que tudo dê certo. são apenas diferentes algumas das razões, como diferentes são duas pessoas mesmo que igualmente boas. eu sei isso, de mim e de ti. ... tudo o resto é paixão, de entrega, de crença, de vontade... eu devo, claro que sim e tu cobras, nos silêncios e aqui."

27.5.08

- ó mãe quando as pessoas morrem vão para o céu?

(- ó mãe quando as pessoas morrem vão para o céu?) é nestas alturas que dou graças ao meu gene quem-sabe-avariado... quando a primeira perguntou eu também fiz o melhor que pude - que há pessoas que não acreditam mas que eu acho que as pessoas quando morrem... - vivem tipo os ursinhos carinhosos, com nuvens casa! E nuvens móveis! – disse ela contente. – Pois..., pode ser isso, afinal não se sabe, não é? – respondi contente e aliviada. A segunda não pensou nisso muito cedo, tinha mais que fazer e quando o fez foi directa ao assunto – ó mãe acreditas que há vida depois da morte? - … Há pessoas que não acreditam mas eu … acredito, mesmo que numa versão reciclada, claro está! Afinal não se sabe, não é? – respondi contente e armada em boa! Ficou com um ar satisfeito. Não voltaram a perguntar, mas quer-me parecer que entre ursos, nuvens, reciclagem e sabe-se lá que mais, foram arranjando teorias boas. Afinal não se sabe, não é?

25.5.08

a liberdade na insegurança da solidão

primeiro percepcionávamos a necessidade que temos dos homens pelo que de mais básico nos pertence, a biologia, a genética, a sobrevivência, nossa e das crias, a continuação da espécie. Juntávamos-lhe a razão e sentíamo-nos em segurança. Depois percepcionámos a necessidade que temos dos homens pelo que de mais básico nos pertence, a biologia, a genética, a sobrevivência, nossa e das crias, a continuação da espécie. Juntámos-lhe a razão e a emoção e sentíamo-nos em segurança. Depois disso percepcionámos a necessidade que temos dos homens pelo que de mais básico nos pertence, a biologia, a genética, a sobrevivência, nossa e das crias, a continuação da espécie. Juntámos-lhe a emoção e a razão e sentíamo-nos em segurança. Agora que o mundo mudou, a sociedade mudou e os papéis mudaram, estamos rapidamente a deixar de percepcionar a necessidade que temos dos homens pelo que de mais básico temos, a biologia, a genética, a sobrevivência, nossa e das crias, a continuação da espécie. E assim estamos a prescindir da emoção, por falta da razão. Será este o preço da liberdade, de escolha, que nunca tivemos? É um preço duro, para as mulheres e para os homens, pelo que de mais básico nos pertence, a biologia, a genética, a sobrevivência, nossa e das crias, a continuação da espécie. Na liberdade, sem a razão, sem a emoção e ainda assim a precisarmos de nos sentir em segurança, a solidão.